terça-feira, 19 de maio de 2009

As canções que partilhámos

Este é um texto escrito por um pai, que viu a sua filha partir, vítima de cancro...são estes testemunhos, que me emocionam, que me fazem pensar na vida, naquilo que tenho, e naquilo que gostaria de ter...e para quê????tudo é poeira..tudo é ilusão, e num estalar de dedos, tudo desparece...e ficamos com o quê????
pensem nisso...e aproveitem a vida!!!!!
"Pontualmente, preciso, sabe-me bem, descarregar a saudade no teclado, sem ter que aborrecer ninguém a ouvir-me. Este desabafo é de Junho de 2007.
Sem explicação aparente, fui buscar um CD antigo do Serge Reggiani e deu comigo a ouvir repetidamente um canção, fui transformando a letra adaptando-a aos meus sonhos e às minhas insónias. Deixo uns bocados soltos, desarrumados, próprios de quem não sabe escrever.
Depois de te beijar à noite adormeci muitas vezes a pensar no dia em que tu me ias deixar, para mudar de casa, para mudar de hábitos. Tentava trocar a tua cara de menina pela da mulher que rompe as amarras e embarca para a vida.
Viajamos juntos algumas vezes, viajei outras sem ti, mas ao voltar as nossas mãos juntavam-se num abraço terno, mais profundo do que um simples beijo de pai e filha.
Miúda, quando esse dia chegar, boa viagem, o teu coração vai mudar de dono. Tentarei imaginar o primeiro jantar na tua nova casa, onde vamos rir das tuas brincadeiras de infância.
Até parecia que te tinha perdido, mas voltávamos a estar juntos, na tua casa ou na minha, como dantes, mais como amigo do que como pai, nem me sentia velho ao partilhar contigo as memórias de um passado comum.
E adormecia dizendo baixinho: boa sorte minha filha no caminho da vida, os nossos dois corações vão mudar de casa.
Hoje, já não posso despedir-me de ti antes de me deitar, já não adormeço com um sorriso, muitas vezes nem adormeço porque o sonho mudou, e o sono partiu contigo.
Agora penso onde estás se é que estás em algum lado.
Prefiro imaginar-te a dormir acreditando que os anjos respiram e que estás à distancia de um sopro.
Na minha cabeça ecoa uma das frase mais bonitas que me ofereceste:
Pai, ao olhares para o céu, cada estrela é um beijo meu.
No silencio da madrugado ainda recordo a tua voz. Será que me vês lá de cima? Podes-me levar até essa estrela onde estás só para ver o teu sorriso?
As canções que partilhámos, compiladas num CD, tocam no autoradio vezes sem conta, enquanto eu, indiferente ao transito e ao destino, me habituei a guiar com a vista turva e os olhos inchados.
Partiste, o sonho transformou-se em pesadelo constante e, dois anos depois ainda não acordei mas já sei que fiquei amputado para o resto da vida."
Pedro Bello
Junho 2007

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Madeirense e mai nada!

Vamos lá ver quem consegue entender a história......
"Tava o vendeiro no paleio com o vadio do vilhão quando ouviu uma zoada. Era a água de giro.
O buzico do levadeiro que vinha mercar palhetes à venda, vinha às carreiras e a fazer patifarias e a chungalhar os badalos da vizinhança pelo caminhe abaixe como um demoine.
Dá-lhe uma cangueira, trompicou nas passadas e empuxou o vilhão qué um cangalhe dum home.
Bate cas ventas no lanço e esmegalha a pucra. O vilhão dá-lhe uma reina vai a cima dele para lhe dar uma relampada, patinha uma poia. Ficou todo sovento.
O vendeiro dá-lhe uma rezonda por ele querer malhar num bizalho dum piquene. Vem o levadeiro, e, ao ver o vassola, que anda à gosma e a encher o pandulho à custa dos outros, a ferrar com o filho, fica variado do miolo e diz-lhe umas. O vilão atazanado, atremou mal e pensou que ele lhe tinha chamado de chibarro, ficou alcançado, deu-lhe uma rabanada e foi embora.
Todo esfrancelhado. O levadeiro ficou mais que azoigado mas lá foi desantupir a levada.
O piquene chegou a casa todo sentido, com um mamulhe. A mãe que é uma rabugenta mas abica-se por ele, ao ver ele todo imantado e a tremelicar das canetas, deu-lhe um chá que era uma água mijoca, pensando que canalha é mesmo assim, mas, como ele não arribava, antes continuava olheirento, entujado e da chorrica foi curar do bicho virado e do olhado roxo.
O busico arribou e até já anda a saltar poios de bananeiras na Fajã."
É assim que se fala na Madeira!! ou se falava!!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sábado é o grande dia...com o melhor padrinho de sempre...depois é hora da desbunda e enterrar a gata uma última vez!!!!!!